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02 de Junho de 2009
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A casa dos budas ditosos

João Ubaldo

"Se todo mundo soubesse da vida sexual de todo mundo, ninguém se dava com ninguém."

Nota: Livro escrito para a coleção Plenos Pecados, dos quais Ubaldo ficou com o tema Luxúria. Eu li. Vale a pena conferir!



Semeado por Ana Flora às 15h14
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Drummond

Quarto em desordem

Na curva perigosa dos cinqüenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não sabe como é feita: amor
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo

verdade tão final, sede tão vária
a esse cavalo solto pela cama
a passear o peito de quem ama.

Em teu crespo jardim,
anêmonas castanhas

Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
detêm a mão ansiosa: Devagar.
Cada pétala ou sépala seja lentamente
acariciada, céu; e a vista pouse,
beijo abstrato, antes do beijo ritual,
na flora pubescente, amor; e tudo é sagrado.

 

Sugar e ser sugado pelo amor

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante         boca milvalente
o corpo dois em um         o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
        no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

 
Sob o chuveiro amar

Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo - é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?

 



Semeado por Ana Flora às 14h44
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Florbela Espanca

A tua voz na primavera

Manto de seda azul, o céu reflete
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus lábios úmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo não repete
O ritmo e a cor dum mesmo beijo... olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a visão dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...

Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!



Semeado por Ana Flora às 14h42
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No corpo

Ferreira Gullar

 

De que vale tentar reconstruir com palavras
      o que o verão levou
      entre nuvens e risos
junto com o jornal velho pelos ares?

O sonho na boca, o incêndio na cama.
o apelo na noite
agora são apenas esta
contração (este clarão)
de maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.



Semeado por Ana Flora às 14h39
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A uma mulher amada

Safo

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo.



Semeado por Ana Flora às 14h32
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Meu desejo

Álvares de Azevedo

 

Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta....
 
Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra....
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra....

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro....

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de languor!



Semeado por Ana Flora às 15h46
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Para ler

O velho e o mar - Ernest Hemingway

Santiago, um velho pescador cubano que ficara 84 dias sem pescar nada, promete acabar com a sua onda de azar. Sua sorte tem a forma de um merlin gigante, o maior peixe que já pescara. Após três dias de luta com o merlin no Golfo do México, Santiago volta para o porto e a razão de seu combate transformara-se numa carcaça por tubarões.

Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

O livro conta a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante um século. Usando recursos do realismo mágico, estilo que ajudaria a difundir a partir de seu lançamento, em 1967, o livro mescla revoluções e fantasmas, incesto, corrupção e loucura, tudo tratado com naturalidade. A história começa quando as coisas não tinham nome e vai até a chegada do telefone.

A revolução dos bichos - George Orwell

O sonho de um velho porco de criar uma granja governada por animais, sem a exploração dos homens, concretiza-se com uma revolução. Como acontecem com as revoluções, a dos bichos também está fadada à tirania, com a ascensão de uma nova casta ao poder. Nesta fábula feita sob medida para a Revolução Russa, todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros.

Sidarta - Hermann Hesse

O livro narra a busca de Sidarta pela iluminação na Índia. Educado, bonito, filho de um homem rico, ele procura a luz com os Samanas, que vivem para pensar, esperar e jejuar. Descobre Buda, mas não aceita sua doutrina. É iniciado nos jogos do amor por uma cortesã, mas só encontra a decadência e decide abandonar tudo. Torna-se então balseiro num rio junto ao sábio Vasudeva e só então conhece a redenção.

Nota: Li esses livros quando era adolescente. Estava me lembrando deles e resolvi sugeri-los.

Sinopses extraídas da Biblioteca Folha



Semeado por Ana Flora às 11h54
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Costumes

Roberto Carlos

Eu pensei
que pudesse esquecer
certos velhos costumes
Eu pensei
que já nem me lembrasse
de coisas passadas

Eu pensei
que pudesse enganar
a mim mesma dizendo
que essas coisas da vida em comum
não ficavam marcadas

Não pensei
que me fizessem falta
umas poucas palavras
dessas coisas simples
que dizemos antes de dormir

De manhã
o bom dia na cama
a conversa informal
o beijo depois o café
o cigarro e o jornal

Os costumes me falam de coisas
de fatos antigos
não me esqueço das tardes alegres
com nossos amigos

Um final de programa
fim de madrugada
o aconchego na cama
a luz apagda
essas coisas
só mesmo com o tempo
se pode esquecer

E então eu me vejo sozinho como estou agora
e respiro toda a liberdade
que alguém pode ter

De repente, ser livre
até me assusta
Me aceitar sem você
certas vezes me custa

Como posso esquecer dos costumes
se nem mesmo esqueci de você...?



Semeado por Ana Flora às 15h04
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Meditação

Tom Jobim e Newton Mendonça


Quem acreditou
No amor, no sorriso e na flor,
Então sonhou, sonhou...
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais.
Quem, no coração,
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isto se perder
E, na solidão,
Procurou um caminho e seguiu
Já descrente de um dia feliz?
Quem chorou chorou,
E tanto que o seu pranto já secou,
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então, tudo encontrou,
Pois a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou.



Semeado por Ana Flora às 16h03
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Uma palavra

Chico Buarque

Palavra prima
Uma palavra só, a crua palavra
Que quer dizer
Tudo
Anterior ao entendimento, palavra

Palavra viva
Palavra com temperatura, palavra
Que se produz
Muda
Feita de lua mais que de vento, palavra

Palavra dócil
Palavra d'agua pra qualquer moldura
Que se acomoda em baldo, em verso, em mágoa
Qualquer feição de se manter palavra

Palavra minha
Matéria, minha criatura, palavra
Que me conduz
Mudo
E que me escreve desatento, palavra

Talvez à noite
Quase-palavra que um de nós murmura
Que ela mistura as letras que eu invento
Outras pronúncias do prazer, palavra

Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra



Semeado por Ana Flora às 13h45
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Para minha namorada

ontem à noite
   sonhei de corpo inteiro
   acordei com teu cheiro

Alonso Alvarez



Semeado por Ana Flora às 11h05
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Banho de Gata

Michele Pfeiffer e aquela "lambidinha" em Batman - o retorno.

P.S. Claro que a foto ficaria melhor se eu estivesse no lugar dele...rs



Semeado por Ana Flora às 10h15
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A arte de ser feliz

Cecília Meireles

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente,
que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.



Semeado por Ana Flora às 10h04
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Ser jovem

Mac Arthur - 1945

A juventude não é um período da vida; ela é um estado espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor ao conforto.

Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos nosso ideal.

Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma.  As preocupações, as dúvidas, os temores e os desesperos são os inimigos que lentamente nos inclinam para a terra e nos tornam pó antes da morte.

Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: E depois?  Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.

És tão jovem quanto a tua fé.  Tão velho quanto a tua descrença.  Tão jovem quanto a tua confiança em ti e a tua esperança.  Tão velho quanto o teu desânimo.  Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito.

E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus, então, se compadeça de tua alma de velho.



Semeado por Ana Flora às 11h12
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Aos amigos - Longe é um lugar que não existe II

 

E agora é chegado o momento de abrir  seu presente. Presentes de lata e vidro amassam e quebram num dia, somem para sempre. Mas eu tenho um presente melhor para você.

É um anel para você usar. Cintila com uma luz especial e não pode ser tirado por ninguém, não pode ser destruído. Somente você, no mundo inteiro, pode ver o anel que lhe dou hoje, como fui o único que pude vê-lo quando era meu.

O anel lhe dá um novo poder. Usando-o, você pode alçar vôo nas asas de todos os pássaros que voam, pode ver através dos olhos dourados deles, pode tocar o vento que passa por suas penas macias, pode conhecer a alegria de se elevar muito acima do mundo e suas preocupações. Pode permanecer no céu por tanto tempo quanto quiser, através da noite, pelo nascer do sol; e quando sentir vontade de outra vez descer, suas perguntas terão respostas, suas preocupações terão acabado.

Como tudo o que não pode ser tocado com a mão nem visto com o olho, seu presente se torna mais forte à medida que o usa. A princípio, pode usá-lo apenas quando está fora de casa, contemplando o pássaro com quem você voa. Mais tarde, porém, se usá-lo bem, vai funcionar com pássaros que não pode ver, até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens.E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.

Rae, este é o último dia especial de comemoração a cada ano que estarei com você, tendo aprendido o que aprendi com os nossos amigos, os pássaros. Não posso ir ao seu encontro porque já estou com você. Você não é pequena porque já é crescida, brincando entre suas vidas como todos fazemos, pelo prazer de viver.

Você não tem aniversário porque sempre viveu; nunca nasceu,  jamais haverá de morrer. Não é a filha das pessoas a quem chama de mãe e pai, mas a companheira de aventuras delas na jornada maravilhosa para compreender as coisas que são.

Cada presente de um amigo é um desejo de felicidade. É o caso deste anel.

Voe livre e feliz além de aniversários e através do sempre. Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.

Richard Bach



Semeado por Ana Flora às 22h32
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Aos amigos - Longe é um lugar que não existe

Rae Hansen convida o amigo Richard Bach para sua festa de aniversário, mesmo sabendo que sua casa ficava além de desertos, tempestades e montanhas.  Richard Bach  parte no coração de um beija-flor para descobrir as verdades que sempre conheceu a respeito da amizade e do amor, de crescer e viver. Para  as relações de amizade que não dependem de tempo e espaço, esta é uma maravilhosa oportunidade de compartilhar pensamentos.

- Rae! Obrigado por me convidar para a sua festa de aniversário!
Sua casa fica a mil quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões. E uma festa para Rae é a melhor e estou ansioso para estar ao seu lado.

Começo a viagem no coração do beija-flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos. Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.
Voamos por algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar indo a uma festa.

- Claro que estou indo à festa. - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso? Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da coruja:
- Podem os quilômetros separar-nos realmente os amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para a coruja. 

Estranhei dizer indo depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo para que Coruja compreendesse.
Coruja também  voou em silêncio por um longo tempo. Era um silêncio amistoso, mas Coruja disse, ao me deixar em segurança na casa da águia:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de pequena.

- Claro que ela é pequena, porque não é crescida - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:
- Pense a respeito.

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para Águia. Estranhei agora falar  indo e pequena, depois das conversas com Beija-flor e Coruja, mas falei assim mesmo para que Águia compreendesse. Voamos juntos sobre as montanhas, subindo nos ventos. E Águia finalmente disse :
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra aniversário.

- Claro que é aniversário. - respondi. - Vamos comemorar a hora que Rae começou e antes da qual ela não era. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto.
- Um tempo antes de Rae começar? Não acha que é mais a vida de Rae que começou antes que o tempo existisse?

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para Gavião. Estranhei falar indo, pequena e aniversário, depois das conversas com Beija-flor, Coruja e Águia, mas falei assim mesmo para que Gavião compreendesse.
O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e Gavião finalmente disse:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é crescendo.

- Claro que ela está crescendo - respondi. - Rae está mais perto de ser adulta, mais um ano longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Gavião pousou finalmente numa praia deserta.
- Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.
E Gavião alçou vôo e foi embora.

Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, Gaivota soubesse que eu estava aprendendo:
- Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que já estou com ela?

Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas, foi pousar suavemente em seu telhado. E disse:
- Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas, pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira.
E Gaivota se foi.

(Continua no próximo post)



Semeado por Ana Flora às 22h30
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Para viver um grande amor

Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausura-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor. Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só, vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado para chatear o grande amor. Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vaidade é desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor. Para viver um grande amor,  além de ser fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor. Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor. É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor... Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, estrogonofes - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra a cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor? Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia saber gastar dinheiro com poesia - para viver um grande amor. É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor. Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva obscura e desvairada não se souber achar a bem-amada para viver um grande amor.



Semeado por Ana Flora às 18h07
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Elegia

Drummond

Ganhei (perdi) meu dia. E baixa a coisa fria também chamada noite,

e o frio ao frio em bruma se entrelaçam, num suspiro.

E me pergunto e me respiro na fuga deste dia que era mil

para mim que esperava, os grandes sóis violentos,

me sentia tão rico deste dia e lá se foi secreto, ao serro frio.

Perdi minha alma à flor do dia ou já perdera bem antes

sua vaga pedraria? Mas quando me perdi,

se estou perdido antes de haver

nascido e me nasci votado à perda de frutos que não tenho nem colhia?

Gastei meu dia. Nele me perdi. De tantas perdas uma clara via por certo

se abriria de mim a mim, estrela fria. As arvores lá fora se meditam.

O inverno é quente em mim, que o estou berçando e em mim

vai derretendo este torrão de sal que está chorando.

Ah, chega de lamento e versos ditos ao ouvido de alguém sem rosto

e sem justiça, ao ouvido do muro, ao liso ouvido gotejante de uma piscina

que não sabe o tempo, e fia seu tapete de água, distraída.

E vou me recolher ao cofre de fantasmas,

que a notícia de perdidos lá não chegue nem açule

os olhos policiais do amor-vigia. Não me procurem que me perdi

eu mesmo como os homens se matam, e as enguias à loca se recolhem, na água fria.

Dia, espelho de projeto não vivido, e contudo viver era tão flamas

na promessa dos deuses; e é tão ríspido em meio aos oratórios já vazios em que

a alma barroca tenta confortar-se mas só

vislumbra o frio noutro frio. Meu Deus, essência estranha ao vaso

que me sinto, ou forma vã, pois que, eu essência, não habito vossa

arquitetura imerecida; meu Deus e meu conflito, nem vos dou conta de mim

nem desafio as garras inefáveis: eis que assisto a meu desmonte palmo

a palmo e não me aflijo de me tornar planície em que já pisam servos e bois e militares

em serviço da sombra, e uma criança que o tempo novo me anuncia e nega.

Terra a que me inclino sob o frio de minha testa que se alonga,

e sinto mais presente quando aspiro em ti o fumo

antigo dos parentes, minha terra,

me tens; e teu cativo passeias brandamente como ao que vai morrer se estende

a vista de espaços luminosos, intocáveis: em mim o que resiste são teus poros.

E sou meu próprio frio que me fecho Corto o frio da folha. Sou teu frio. E sou meu próprio frio que

me fecho longe do amor desabitado e líquido,

amor em que me amaram, me feriram sete vezes por dia em sete dias de sete vidas de ouro, amor,

fonte de eterno frio, minha pena deserta, ao fim de março, amor, quem contaria?

E já não sei se é jogo, ou se poesia.



Semeado por Ana Flora às 17h38
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Vencedores

A diferença entre o sonho e a realidade

é a quantidade certa de tempo e trabalho.

William Douglas

Equipe masculina de vôlei posa junto com o 4º troféu



Semeado por Ana Flora às 17h54
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A aliança

Luís Fernando Veríssimo

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.

Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências... Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.

— Você não sabe o que me aconteceu! 

— O quê?

— Uma coisa incrível. 

— O quê?

— Contando ninguém acredita. 

— Conta!

— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?

— Não. 

— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.
 
— O que aconteceu?

E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.

— Que coisa - diria a mulher, calmamente.

— Não é difícil de acreditar?

— Não. É perfeitamente possível. 

— Pois é. Eu...

— SEU CRETINO!

— Meu bem...

— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.

— Mas, meu bem...

— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!

E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:

— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:

— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.

— O mais importante é que você não mentiu pra mim. 

E foi tratar do jantar.



Semeado por Ana Flora às 11h53
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Dançar pra não dançar!

Bom humor é vitamina e salva amores anêmicos!

Tensão, irritação, falta de paciência, incapacidade de ver o lado bom da vida e cara feia não são, em hipótese alguma, afrodisíacos. Muito pelo contrário, são verdadeiros agentes brochantes e inibidores do amor. Relaxe, baby! Está mais do que provado que pessoas bem-humoradas, receptivas a brincadeiras, de bem com a vida, alegres e dispostas a encontrar uma saída para os problemas – ao invés de um problema para qualquer saída – são muito mais facilmente amadas, desejadas e queridas.

Acredite se quiser, tem gente que já se acostumou tanto a manter-se carrancuda que mais do que ter um motivo, elas têm uma mania: mania de cara feia; ou seja, nem se dão conta de que estão constantemente mal-humoradas, afastando os outros, dando a impressão de que são portadoras de alguma espécie de vírus que provoca insatisfação, zica, azar!

Acordar ao lado de alguém que se sente privilegiado por estar vivo, com saúde e sendo capaz de reconhecer as coisas boas da vida é realmente muito mais gratificante do que acordar com alguém que parece ter dormido de cabeça para baixo e sem a companhia dos morcegos, porque nem eles o suportam.

Infelizmente, existem muitos mal-humorados que se comportam desta maneira somente quando chegam em casa. Sinceramente, não consigo pensar numa razão que justifique tal comportamento, mas arrisco-me a dizer que se sentem incapazes de se satisfazerem consigo mesmos, com suas conquistas – ou a completa falta delas – e acreditam, muito equivocadamente, que a pessoa amada é obrigada a suportar todas as suas neuroses e frustrações, como se fizesse parte do relacionamento.

Sugiro que comecemos a nos dar conta do quanto o bom humor é importante; aliás, ele é essencial para facilitar a vida, atrair boas energias e, consequentemente, resultados satisfatórios. Sugiro que comecemos, o quanto antes, a praticá-lo, a torná-lo parte intrínseca de nosso modo de ser, de viver e sobretudo, de amar.

Ser bem-humorado é ser leve, é ser uma pessoa gostosa, rir, gargalhar, enxergar a graça e a magia de cada dia, do sol, da chuva, das flores, das cores e de cada um. O bom humor altera o organismo de quem o pratica e de quem convive com os bem-humorados.
Pode até parecer exagero, mas acredite: o bom humor é vitamina e salva amores anêmicos, fracos, sem vida, sem sabor, sem brilho. Lembre-se de uma piada de vez em quando, aceite ser alvo de um sarrinho, de uma brincadeira, faça tiradinhas inteligentes, arrisque uma música antiga, um passo de dança, um comportamento de criança. Arrisque ser um pouquinho, só um pouquinho que seja, mais feliz do que tem sido ultimamente.

Mude a sua dinâmica, melhore o seu humor e tente, ao menos tente, enxergar o lado positivo de cada situação. Assim, você estará contribuindo significativamente para devolver a força, a saúde e a luminosidade do seu amor.
Rosana Braga


Falando em dança...

“Escolher a dança foi para mim não ter escolha. Assim como acontece quando amamos alguém, ou quando nos apaixonamos subitamente por algo. Senti este encontro nascendo de um primeiro olhar que desencadeou uma escolha mútua, assim se deu o abraço e logo ocorreu este lançar-se intenso às mais diversas carícias. Dançar é expressar este querer, este constante apaixonar-se e admirar-se diante das essências das coisas, das  pessoas e do mundo”
Débora Barreto - Bailarina

Dançar faz bem ao corpo, a mente e à saúde geral do organismo, além do prazer que esta atividade gera. A dança é ainda um meio de aproximar as pessoas, desinibi-las, melhorando o relacionamento humano. Bolero, samba, fox, rock, não importa. Importante mesmo é soltar o corpo e divertir-se! Então... tá esperando o quê?!

 

Bom final de semana!
Ana Flora



Semeado por Ana Flora às 11h19
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A bunda dura

Autoria desconhecida

Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura? Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?

A) Escova toda manhã: A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão "Alisabel é que é legal". Burra.
 
B) Na moda: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar "desarrumada" nem enquanto estiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo  perante o espelho do quarto. Credo.

C) Sorriso incessante: ela mora na vila do Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho - só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.

D) Bunda dura:

As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão.

Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão. Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda? Meu Deus...

Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema).

Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.



Semeado por Ana Flora às 19h21
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Paralelas

Ana Flora 

 

Parte                                Todo

 

 

 

Uma razão separa          Teu lado  e o meu

 

 

 

Um sentido aproxima     Meu corpo e o teu

 

 

 

Linhas                              Planos opostos 

pa

r a

l e

l a s



Semeado por Ana Flora às 23h52
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Madrugada

Ana Flora

Traz tua ausência
No sofá o violão
É noite e a solidão
Não tem complacência.

 

É mais que um desejo cantado
O meu coração partido
É a dor de dias já idos
E do nosso amor acabado.

 

Foste como um pensamento
Desfeito na rapidez do instante
E a mim, mulher errante,

Ficou o descontentamento.

 

Mesmo assim hei de sonhar
Sol e lua, beija-flores
Sei que no amor há dores
Mas, ainda assim, é bom amar.



Semeado por Ana Flora às 23h42
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Centenário de Neruda

A palavra

... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que, se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que, nunca mais, se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

Pablo Neruda: Neftalí Ricardo Reyes - Poeta chileno (Parral 1904 - Santiago 1973).



Semeado por Ana Flora às 18h03
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Neruda

Teu Riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Plena mulher

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Vês estas mãos?

Vês estas mãos?
Mediram a terra, separaram os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra, derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios,
e, no entanto, quando te percorrem a ti,
pequena, grão de trigo, andorinha,
não chegam para abarcar-te,
esforçadas alcançam as palomas gêmeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias de tuas pernas,
enrolam-se na luz de tua cintura.
Para mim és tesouro mais intenso de imensidão
que o mar e seus racimos
e és branca, és azul e extensa como a terra na vindima.
Nesse território, de teus pés à tua fronte,
andando, andando, andando, eu passarei a vida.



Semeado por Ana Flora às 18h01
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Alegria

Ana Flora

Bicicleta, bola, boneca                            

 Balanço de rede, quintal

Bachianas, Bilac, Bandeira

 Bala de goma, fogueira

Brinquedos do meu festival.

 Bonita, brejeira, Brasil

 Beijando na boca - disfrute

Biquíni, busto, batuque

Bailando em dias de abril.

Bela, como te espero!

 Bicota, batom, bailariana

Beijo de doce menina

 Botando luz nas retinas

Brilho do meu coração.



Semeado por Ana Flora às 10h03
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Estrada do sol

É de manhã, vem o sol
Mas os pingos da chuva
que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre
Que me traz esta canção

Quero que você me dê a mão
Vamos sair por aí
Sem pensar no que foi
que sonhei
Que chorei, que sofri
Pois a nossa manhã
Já me fez esquecer

Me dê a mão
Vamos sair pra ver o sol

Tom Jobim e Dolores Duran



Semeado por Ana Flora às 00h44
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O Poema do Semelhante

Elisa Lucinda
O Deus da parecença
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,
Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.
Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.

Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
É mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.
 
O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.
O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente
 
Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.
Não fosse a inteligência
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança


Semeado por Ana Flora às 23h47
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Os Ombros Suportam o Mundo

Drummond

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões
dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Clique no link e ouça esse poema!

http://www.cantoseprosas.hpg.ig.com.br/drummond/os_ombros_suportam%20_o_mundo.mid



Semeado por Ana Flora às 20h04
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Este amor

Caetano Veloso

Se alguém pudesse ser um siboney
Boiando à flor do sol
Se alguém, seu arquipélago, seu rei
Seu golfo e seu farol
Captasse a cor das cores da razão do sal da vida
Talvez chegasse a ler o que este amor tem como lei


Se alguém, judeu, iorubá, nissei, bundo,
Rei na diáspora
Abrisse as suas asas sobre o mundo
Sem ter nem precisar
E o mundo abrisse já, por sua vez,
Asas e pétalas
Não é bem, talvez, em flor
Que se desvela o que este amor

(Tua boca brilhando, boca de mulher,
Nem mel, nem mentira,
O que ela me fez sofrer, o que ela me deu de prazer,
O que de mim ninguém tira
Carne da palavra, carne do silêncio,
Minha paz e minha ira
Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca)

Se alguém cantasse mais do que ninguém
Do que o silêncio e o grito
Mais íntimo e remoto, perto além
Mais feio e mais bonito
Se alguém pudesse erguer o seu Gilgal em Bethania...
Que anjo exterminador tem como guia o deste amor?


Se alguém, nalgum bolero, nalgum som
Perdesse a máscara
E achasse verdadeiro e muito bom
O que não passará
Dindinha lua brilharia mais no céu da ilha
E a luz da maravilha
E a luz do amor
Sobre este amor



Semeado por Ana Flora às 13h11
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Vista cansada

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela primeira vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente ver pela primeira vez. O que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê.

Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência.

O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E ventos? Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas.

Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Otto Lara Resende



Semeado por Ana Flora às 19h57
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Minha biblioteca

Existe uma estranha geografia em minha cabeça, que se refere a um mundo em torno de mim, um mundo físico, palpável, mas de significados infinitos. Essa estranha geografia surgiu do meu hábito de viver trancada num escritório cheio de livros. Esses livros dispostos numa serena ordem um ao lado do outro representam a minha mente como um mapa a um país. Se fecho os olhos, as prateleiras de livros se acendem dentro de minha cabeça, como se minha cabeça fosse também um aposento forrado de estantes de livros em que cada um deles é uma porta para um mundo diferente. Todos são logicamente posicionados, de acordo com um sistema funcional. Se me recordo de um desses livros, meu olhar vai diretamente ao lugar em que se encontra. Raras vezes algum se perde, mas quando isso acontece caio numa espécie de desespero. Algumas vezes basta olhar a lombada de um deles para receber sua influência, como uma secreta ligação, feito as ondas do mar em relação à Lua. Às vezes sinto um apelo irresistível, como se um deles me chamasse, e seja em que momento for, levanto da cadeira, retiro o livro da estante e o folheio, para ouvir o que tem a dizer. Esses livros determinam meus sentimentos, meus pensamentos, meu entendimento do mundo. Eles são o mapa de minha alma. Cada um deles representa uma região, um lugar onde estive, e onde ainda estou.

Há entre eles, claro, os livros escritos por mim, mesmo os traduzidos em outras línguas. Ficam separados numa das prateleiras, rabiscados desde a primeira página onde se encontram as palavras manuscritas: “meu exemplar de trabalho”. A leitura sistemática e assídua que realizei nestes últimos anos, sendo grande parte sobre livros de história ou história literária, dotou minha mente de uma desconfortável consciência histórica. Assim, tenho sempre a sensação de que nada me pertence, de que nenhuma palavra que escrevi é minha, de que não sou autora de meus próprios trabalhos, mas apenas um elo na construção literária da humanidade, uma pequena e frágil conexão entre um e outro tempo, massacrada pelas circunstâncias históricas.

Todos esses livros são para mim seres vivos, que sorriem, choram, zombam, ensinam, atraiçoam, respiram. Há cerca de vinte anos vivo por eles dominada. Quando criança tive uma pequena biblioteca, da qual me lembro de apenas alguns títulos. Ao sair da casa de meus pais, aos dezessete anos, ela ficou em meu quarto, e se perdeu. Tive depois disso apenas uma biblioteca que se foi ampliando com o tempo. A cada vez que eu me mudava de casa, levava caixotes repletos de livros. A cada mudança eram mais e maiores caixotes. Houve um momento em que a minha coleção de livros passou a ser realmente uma biblioteca, quando precisei criar uma ordem, a fim de que pudesse encontrar os volumes. Isso aconteceu cerca de quatro anos antes de eu publicar o meu primeiro romance, quando eu morava numa mansarda cujas janelas se abriam para uma paisagem de telhados, quando aprendi a conhecer o mundo dos telhados, povoado de gatos, estrelas e a Lua, além de alguns animais repugnantes, como lagartixas ou algum camundongo perdido. A mansarda tinha apenas dois ambientes: um escritório, uma cozinha-armário e um jirau que servia de quarto formavam o primeiro ambiente; o outro era apenas um desproporcionalmente grande banheiro onde cabiam máquina de lavar e de secar roupas. O escritório tinha apenas uma das paredes coberta de livros, organizados por gêneros, como romance e conto, poesia, ensaio, livros de referência. Eu tinha uma vida austera e comprava livros com parcimônia. Cada livro que passava a fazer parte de minha biblioteca tinha um significado para mim, havia sofrido uma espécie de prova e se integrado à minha estrutura pessoal. Eu os sentia todos ligados a mim por fios invisíveis. Sair de perto deles era uma espécie de rompimento, e eu me sentia perdida. Passei a gostar de permanecer apenas ali perto deles, uma espécie de prisioneira voluntária, conformada, até mesmo feliz.

Em seguida me mudei para um lugar maior, onde o escritório todo em madeira era voltado para um jardim – também apareciam gatos, estrelas, a Lua, ratos e lagartixas, além de caracóis, lesmas, vorazes lagartas verdes que acabaram se tornando minhas amigas, minhocas, joaninhas, uma infinidade de bichos moradores ou visitantes – e três paredes de estantes abrigavam uma quantidade bem maior de livros. Lembro-me de minha atividade ao mesmo tempo frenética e monótona, subindo de descendo degraus, tirando e devolvendo livros, abrindo e fechando páginas, guardando, registrando na mente cada lugar, cada palavra, cada frase que se tornava importante para mim. Na época eu ainda dispunha de espaço, estava numa situação financeira um pouco melhor e tinha uma incontível ganância em adquirir livros, que se amontoavam na minha cabeceira esperando a vez de serem lidos até merecerem entrar no recinto sagrado de meu escritório. Eu buscava não apenas livros novos, quer dizer, ainda não lidos por mim, como tentava recuperar os que havia lido na adolescência ou mesmo na idade adulta e que estavam perdidos, fisicamente. Ainda tinha a ilusão de que poderia guardar comigo todos os livros do mundo.

Hoje vivo num escritório mais amplo, branco, com janelas de vidro rasgando uma das paredes de um a outro lado, por onde se avistam a cidade do Rio de Janeiro, o mar, as ilhas Cagarras, Palmas, Redonda etc., o céu, estrelas, a Lua. Em vez de gatos ou insetos vejo pássaros ou surpreendentes balões dirigíveis, ou helicópteros, ou aviões. A biblioteca que me circunda é imensamente maior do que as anteriores, apesar de meu rigor na entrada e permanência dos volumes. Os meus livros convivem pacificamente com os livros de meu marido. É uma casa onde os livros são o centro de tudo. Há livros na sala, no quarto, na cozinha, no corredor, nos quartos das crianças, claro, no quarto da empregada (minha assessora especial diz que na próxima vida voltará como escritora), livros no banheiro. Os livros, como as pessoas, têm seu destino. Penso sempre no que acontecerá com esses livros, depois de minha morte, se é que algum dia eu vá morrer, sempre tenho a esperança de assistir à descoberta da fonte de imortalidade. Meu filho não terá interesse por eles? Quem sabe algum neto. Alguém os comprará a quilo para serem vendidos num sebo? Talvez eu possa doá-los a uma instituição, ou a pessoas amadas, como fez um amigo meu que morreu muito jovem e sua morte anunciada permitiu que ele fizesse um testamento distribuindo sua biblioteca.

Graças a ele, tenho edições antigas de Proust, Updike, Milan Kundera ou Guimarães Rosa.

Ana Miranda nasceu em 1951 em Fortaleza, Ceará. Sua vida literária teve início em 1978 com a publicação de um livro de poesias. Seu primeiro romance, "Boca do Inferno", foi publicado em 1989, obra que já foi traduzida nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia e Holanda, entre outros países. Recebeu o Prêmio Jabuti de Revelação em 1990. Escreve roteiros cinematográficos, ensaios e resenhas críticas para jornais e revistas, além de realizar palestras em universidades e outras instituições.



Semeado por Ana Flora às 14h29
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Anais Nin

"...o amor entre mulheres é um refúgio e uma fuga para a harmonia.

No amor entre homem e mulher existe resistência e conflito.

Duas mulheres não se julgam, não se violentam, nem encontram algo para ridicularizar.

Elas se entregam ao sentimento, à compreensão mútua, ao romantismo e ao prazer..."

Sugerido por Vanessa (almaperdida.zip.net)



Semeado por Ana Flora às 13h37
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Invisível aos olhos?



Semeado por Ana Flora às 13h23
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Bertolt Brecht

"... e lança um olhar num livro que amas.
Começa assim um dia belo e útil"
 
Extraído de ArtePauBrasil - Livraria virtual


Semeado por Ana Flora às 13h12
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O SEU SANTO NOME

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Drummond



Semeado por Ana Flora às 13h09
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Drummond

"Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida."
Extraído de ArtePauBrasil - Livraria virtual


Semeado por Ana Flora às 13h07
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Pétala

O seu amor
Reluz que nem riqueza,
Asa do meu destino,
Clareza do tino,
Pétala de estrela caindo
Bem devagar...

Ó meu amor,
Viver é todo sacrifício
Feito em seu nome,
Quanto mais desejo um beijo seu,
Muito mais eu vejo
Gosto em viver, viver...

Por ser exato,
O amor não cabe em si;
Por ser encantado,
O amor revela-se;
Por ser amor,
Invade... e fim.

Djavan



Semeado por Ana Flora às 19h52
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Para minha doce menina

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade



Semeado por Ana Flora às 19h05
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Para Dri

Fui retribuir uma visita e encontrei o seguinte post:

"EU QUERO ME DROGAR MUITO NUMA DESSAS NOITES, PRA VER SE EU DESCUBRO O VERDADEIRO SIGNIFICADO DESSA PORRA DE VIDA...E SE EU NÃO DESCOBRIR...TOMARA QUE NESSA MESMA NOITE EU MORRA DE OVERDOSE..."

Eis minha resposta:

Tome uma overdose de poesia, boa música, gente bonita e alegre, boas companhias...

Pise a terra descalça, visite uma cachoeira, ligue pra um amigo querido, tome sorvete, vire cambalhotas...

Dê muita risada, desenhe, pinte com giz de cera, cante!

Faça versos, veja um bom filme, beije na boca...corte o cabelo, faça um penteado arrojado, vista uma roupa leve, vá pedalar um pouco...

Fique em silêncio, escute os anjos, mergulhe em você e nas pessoas que ama...tá vendo? A vida faz sentido!

Um beijo doce.

Ana Flora

P.S. Acabei de criar isso, vou publicar no meu blog pra vc.



Semeado por Ana Flora às 15h05
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Espaço curvo e finito


Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

José Saramago
(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)



Semeado por Ana Flora às 12h44
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Ser de todo mundo e não ser de ninguém...

por Arnaldo Jabor
 
Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.

A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação". Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.

Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando.

Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança?

A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.

Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem na maioria das vezes a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer".



Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional.

Podemos aprender a amar se relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.

Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.



Semeado por Ana Flora às 12h13
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Faça Amor, Não Faça A Guerra!

Uma lista de beijos lésbicos no cinema
por Vange Leonel
 

Campanha lesbopacifista: Faça Amor, Não Faça A Guerra. Esta é uma lista de filmes em que mulheres beijam e/ou fazem sexo com outras mulheres*. Para nos inspirar fazer brotar a esperança.

1. A Cidade dos Sonhos - beijos na boca e cenas de sexo entre as atrizes Naomi Watts e Laura Harring. Destaque para os seios de Harring e para Watts quando diz que sente que está se apaixonando.
 
2. Aimée & Jaguar - beijos na boca e cenas de sexo entre as atrizes Maria Schrader e Juliane Köhler, premiadas em Cannes. Destaque para a primeira cena de sexo, quando Köhler treme inteira durante um orgasmo. 

3. Almas Gêmeas - beijos adolescentes e trágicos trocados pelas atrizes Kate Winslet (de Titanic) e Melanie Lynskey. Destaque para a folie à deux das duas protagonistas.
 
4. Amigas de Colégio - beijos adolescentes e mágicos trocados pelas atrizes Alexandra Dahlström e Rebecka Liljeberg. Destaque para a aposta do beijo, para o beijo no táxi, para a saída (literal) do armário e para o achocolatado do final. 

5. As Parceiras - beijo e cenas de sexo discretas entre as atrizes Mariel Hemingway e Patrice Donnelly. Destaque negativo para o cara que acaba ficando com Hemingway no final. 

6. Assunto de Meninas - beijo entre as adolescentes e colegas de quarto, vividas por Piper Perabo e Jessica Paré. Destaque negativo para o destino reservado ao romance entre as meninas. 

7. Até as Vaqueiras ficam Tristes - beijos e sexo nas areias do deserto entre as atrizes Uma Thurman e Rain Phoenix, irmã do falecido River. Destaque para a prótese de dedão gigante de Uma. 

8. Beijando Jessica Stein - beijos e sexo cômico entre as personagens heterossexuais curiosas interpretadas por Jennifer Westfeldt e Heather Juergensen. Destaque para as duas protagonistas, tentando descobrir como se beija uma mulher. 

9. Celebridades - cena breve, em que a eterna lolita Winona Ryder beija a atriz Ingrid Rogers. Destaque para Winona, que sempre que pode beija uma menina (não estão nesta lista, por serem breves demais: Drácula e Alien) 

10. Desejos Proibidos - das três histórias, ficamos com a do meio, com ótimas cenas de beijo e sexo entre as atrizes Michelle Williams e Cloë Sevigny. Destaque para Sevigny de dyke, Williams de hippie e para o amasso no portão. 

11. Dr. T e as Mulheres - a noiva, vivida pela atriz Kate Hudson, deixa o noivo no altar e beija a dama de honra, Liv Tyler. Destaque para a cena clássica do altar (Altman adora casamentos!) e para os lábios de Liv. 

12. Emanuelle - beijo e sexo entre Sylvia Kristel e Marika Green neste clássico erótico dos anos 70. Destaque para a cena de sexo oral de Kristel em Green e a rapidinha no vestiário depois de uma partida de squash. 

13. Fogo e Desejo - beijos e sexo entre as atrizes Shabana Azmi e Nandita Das, driblando tabus numa Índia moderna, mas ainda mística. Destaque para o beijo de Shabana no seio de Nandita. 

14. Fome de Viver - beijos e sexo entre as atrizes Catherine Deneuve e Susan Sarandon. Destaque para Sarandon derramando sherry na blusa, só para despir-se na frente de Deneuve. 

15. Garota Interrompida - beijo rápido, mas que entra nessa lista por causa das beijoqueiras outsiders Angelina Jolie e Winona Ryder. Destaque para a boca e a calça de cintura baixa de Jolie. 



Semeado por Ana Flora às 16h17
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Faça Amor, Não Faça A Guerra! (Parte 2)

16. Garotas Selvagens - beijo e sexo entre as atrizes Neve Campbell e Denise Richards. Destaque para o beijo molhado na piscina e para a malvadeza das meninas (Neve é outra que já beijou muita mulher no cinema e na TV). 

17. Garotos Não Choram - beijos e sexo entre as atrizes Chloë Sevigny e Hilary Swank, neste filme trágico inspirado numa história real. Destaque para Swank, de rapazinho, e Sevigny, de mocinha, num ótimo contraponto para seu papel em Desejos Proibidos, do mesmo ano. 

18. Go Fish - muito sexo e muitos beijos neste autêntico lesbian movie. Destaque para a cena em que a atriz Guinevere Turner pede a V.S. Brodie que corte as unhas antes de treparem. 

19. Henry & June - beijos e sexo entre as atrizes Uma Thurman e Maria de Medeiros, nesta adaptação do romance bissexual de Anaïs Nin. Destaque para a dança lenta, o beijo subseqüente e Uma junkie. 

20. Instinto Selvagem - cenas de sexo e beijo entre as atrizes Sharon Stone e Leilani Sarelle. Destaque para a clássica cruzada de perna de Stone. Destaque negativo para Michael Douglas. 

21. Kids - beijos adolescentes entre as atrizes Michele Lockwood e Carisa Glucksman na piscina. Destaque para o beijo breve, porém intenso, entre as atrizes Beth Weinstein e Alexandra Karabell num nightclub. 

22. Mädchen in Uniform - primeiro filme lésbico da história (1929), que retrata um internato de meninas na Alemanha. Destaque para o beijo entre as atrizes Dorothea Wieck e Hertha Thiele. 

23. Marrocos - dizem que neste filme aconteceu o primeiro beijo lésbico de Hollywood (1930), entre Marlene Dietrich e uma figurante num cabaré. Destaque para o smoking e a cartola de Dietrich, que acabaram por eternizá-la. 

24. Rainha Christina - beijo entre a divina Greta Garbo e Elizabeth Young, nos aposentos da rainha. Destaque para a fala de Garbo: "eu vou morrer solteira!", que precedeu seu famoso "I want to be alone!" 

25. Salmonberries - beijo e sexo entre a cantora k.d.lang (no papel de uma esquimó) e a atriz alemã Rosel Zech. Destaque para o nu de corpo inteiro de k.d.lang na biblioteca, ainda que à meia-luz (ela é enorme!). 

26. Segundas Intenções - beijo entre as atrizes Sarah Michelle Gellar (a Buffy) e Selma Blair. Destaque para Buffy malvada ensinando uma Blair ingênua a beijar e para o beijo grotesco com línguas aparentes.  

27. The Berlin Affair - beijos e sexo quente entre as atrizes Gudrun Landgrebe e Mio Takaki. Destaque para o sexo hiper-quente-inter-racial e para o clima envolvente. 

28. Um Hotel Muito Louco - cena de beijo pós sexo entre as atrizes Jodie Foster e Nasstasja Kiski, vestida de urso. O único beijo lésbico de Foster no cinema! 

29. Quando a Noite Cai - um dos filmes mais intensos e lindos da era "lésbicas felizes no cinema). Destaque para a cena de sexo entre as lonas do circo.



Semeado por Ana Flora às 16h16
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