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02 de Junho de 2008
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Aura

Serra do Luar 

Walter Franco

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranqüilo

 

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento

Eu só voltei pra te contar
Viajei...Fui pra Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem pra terra descançar

Viver é afinar o instrumento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo

A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro



Semeado por Ana Flora às 17h07
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Dois Corações

Ana Flora

 "Que não seja imortal

Posto que é chama

Mas que seja infinito

Enquanto dure"

 

Todo mundo ama

Todo mundo sente

Todo mundo chora

E ri 

E declara seu amor

Pela vida, pelos outros

Por si mesmo.

 

Compartilha  sentires

Alegria

Dissabor

Prazer e  dor.

 

Dar-se por completo

Receber o que é incerto

Vem do outro

É inusitado.

 

Surpresas, fantasias

Cinema, pipoca

Beijo na boca

Tesão, carícias

Olhares, sensações

Palavras, sentimentos.

 

Busca incessante

Descoberta  infinita

Do que seja  amar.



Semeado por Ana Flora às 11h43
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Para ver as meninas

Paulinho da  Viola

 


Silêncio, por favor,


Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim

Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído

Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale

Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito



Semeado por Ana Flora às 17h30
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No silêncio dos olhos

José Saramago

Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?

Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?



Semeado por Ana Flora às 14h41
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Eu

Paulo Leminsky

 

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha



Semeado por Ana Flora às 14h38
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Modinha

Vinicius de Moraes/Antonio Carlos Jobim

Não, não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Não, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia a emoção
Que mora dentro do meu coração



Semeado por Ana Flora às 21h57
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Modinha

Sérgio Bittencourt

Olho a rosa na janela
Sonho um sonho pequenino
Se eu pudesse ser menino
Eu roubava esta rosa
E ofertava todo prosa
À primeira namorada

E, nesse pouco ou quase nada,
Eu dizia o meu amor, o meu amor.

Olho o sol findando lento
Sonho um sonho de um adulto
Minha voz na voz do vento
Indo em busca do teu vulto
E o meu verso em pedaços
Só querendo o teu perdão
Eu me perco nos teus passos
E me encontro na canção.

Ai, amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor
Ai, amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor



Semeado por Ana Flora às 21h45
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O vento

Djavan

Minha mulher, minha irmã
Minha cara metade
Da carne maçã, maçã
Minha costela-de-Adão
Meu pé de romã, romã

Vento que bate na porta
Trazendo notícias
Que tem de alguém
Vento que entorna a manhã
Do meu bem
Me leva, me leva

Vento
Bate suas asas
Voa sobre as casas
Vento
faz o dia delirar
Traz minha morena do além- mar

Minha irmã, meu irmão
Quem tem ouro na pele
Da alma pagã, pagã
Vento me ensina a tocar
A flauta de Pã, de Pã



Semeado por Ana Flora às 01h05
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Ausência

Ana Flora

pior que ser ausente
é tentar justificar-se
pois quem quer
se faz presente:
ainda que em silêncio
- mesmo que distante.

Ausencia
Tela de Maria del Pilar Reyes Noriega.



Semeado por Ana Flora às 21h31
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Oco

Ana Flora
   

alô
    olá

e-mail 
carta
telefone

   
palavra
      gesto
            l
             h
             a
             r
       
alô
      olá

código morse
pombo-correio
telegrama
psicografia

garrafa no mar

alô
      olá

eco
      oco



Semeado por Ana Flora às 21h25
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Mar e Lua

Chico Buarque

Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar

Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar

Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar

E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar

E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
e à beira-mar



Semeado por Ana Flora às 19h28
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O Amar do Mar

Carlos Seabra

boca do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia

língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar


Semeado por Ana Flora às 18h31
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Felicidade

Ana Flora 

Pôr-de-sol
Os pés na areia
Um soneto de Vicícius
Uma música pra dançar
Simples desejos
Não menos densos
Que a alegria de te amar
Canga estampada
Cadência brejeira
Cerveja gelada
Espuma do mar
Uma tarde festeira
E a vontade louca  de ficar


Semeado por Ana Flora às 17h04
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Deleite

Ana Flora

 

Ela sorriu

Nos lábios carmim

Era meu  o sim que trazia

Silêncio...

E me senti  uma menina

Admirando o primeiro botão de rosa



Semeado por Ana Flora às 17h00
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Tons

Adriana Calcanhotto

Roxos
Todos
Pretos
Partes
Pratas
Andrades
Azuis
Azares
Amarras
Amar
Elos

Amargores
Calipsos
Cortesias
Cortes
Cores e
rancores
Luzes
Milagres
Lilases
Rosas
Guimarães...

Mulatos
Dourados
Rubores
Castigos
Castanhos
Castores
Havanas
Avanços e
brancos
Cobranças
Cinzentos
Cimentos
Crianças
nas sarjetas
Nojentas
Imagens
Violeta
Magentas
Laranjas
Matizes
Cremes
Crimes
Cobaltos
Assaltos
Turquesas
Pérolas
aos hipócritas
Ocres
Terras
Telhas
Gelos
Gemas



Semeado por Ana Flora às 16h02
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Adeus, folhas secas!

Clarice Lispector

Chega a primavera
colorindo e dando vida.
Além de trazer um pouco
mais de chuvas.

Acabaram-se os dias secos,
plantas sem vida,
folhas secas.

O cenário da vida se assemelha a um jardim.
Há momentos em que impera o inverno,
estamos sem viço.
Parece que nada voltará
a embelezar a vida!

Mas chega a primavera!
E mudanças são possíveis.
O despertar de uma nova etapa
que vai nos tirar da letargia

Adeus, folhas secas!
Com uma tesoura pequena,
vou podando as arestas,
limpando os arbustos,
tirando - da vida - os fungos!

Vou replantar os sonhos...
A época é agora!
Terei tempo suficiente para adaptar
ao novo, a raiz plantada.

Cortarei algumas situações
para que outras surjam com mais força.

Vou imprimir à vida
a renovação da primavera!

Ramalhete Flores do Campo                                 Composé de Rosas



Semeado por Ana Flora às 16h57
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É Primavera

 

Trago essa rosa para lhe dar...



Semeado por Ana Flora às 16h48
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Alguma Primavera



Semeado por Ana Flora às 16h41
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"Tu és como rosto das rosas: diferente em cada pétala.

Onde estava o teu perfume?

Ninguém soube.

Teu lábio sorriu para todos os ventos e o mundo inteiro ficou feliz.

Eu, só eu, encontrei a gota de orvalho que te alimentava,

como um segredo que cai do sonho..."

Cecília Meireles



Semeado por Ana Flora às 15h11
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Rosa

Pixinguinha 

Tu és divina e graciosa, estátua majestosa do amor

Por Deus esculturada e formada com o ardor

Da alma da mais linda flor, de mais ativo olor

Que na vida é preferida pelo beija-flor

 

Se Deus me fora tão clemente, aqui, neste ambiente

De luz formada numa tela, deslumbrante e bela

O teu coração junto ao meu, lanceado, pregado

E crucificado sobre a rósea cruz do arfante peito teu.

 

Tu és a forma ideal, estátua magistral

Oh ! Alma perenal do meu primeiro amor, sublime amor

Tu és, de Deus, a soberana flor

Tu és, de Deus, a criação que em todo o coração sepultas o amor

O riso, a fé e a dor em sândalos olentes

Cheios de sabor, em vozes tão dolentes como um sonho em flor

És Láctea estrela, és mãe da realeza

És tudo, enfim, que tem de belo

Em todo resplendor da santa natureza

 

Perdão, se ouso confessar-te,

Eu hei de sempre amar-te

Oh ! Flor, meu peito não resiste

Oh ! Meu Deus, o quanto é triste

A incerteza de um amor que mais me faz penar

E esperar em conduzir-te um dia ao pé do altar

 

Jurar, aos pés do onipotente, em prece comovente de dor

E receber a unção de tua gratidão

Depois de remir meus desejos em nuvens de beijos

Hei de te envolver até meu padecer

De todo fenecer



Semeado por Ana Flora às 14h31
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Cordilheira

Djavan

Bocejar
Dia claro, vida a verdejar
Luz por entre os cachos amarelos do ipê
Deu pra ver
Você me tocou sem perceber
Você nem me olha
E eu não posso te esquecer
Creio em ti
Se for ilusão, que Deus me guie
O que não fazer pra se merecer tal mulher
Cerração
Noite na janela meu querer
Porque te venero, sempre espero por você

Por sobre a cordilheira, o arco-íris
Meu corpo treme ao pensar no seu, frenesi
Te quero
Mesmo pra te dar sem ter retorno
Te quero assaz
Te quero assim
Te quero pra mim
Escada pro pecado, caso de amor
Teus lábios tão sonhados
Vão me ter sempre aqui
À espera de um olhar que faz
Dia romper
O céu cair
Noite fechar
E faz o meu ar desaparecer

O luar que eu vi no lago azul
Daria pra você
O luar que eu vi no lago azul
Num instante se escondeu



Semeado por Ana Flora às 09h50
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censura

 

Texto: Ana flora

Imagem:  ZoneZero.com  - Direitos Reservados



Semeado por Ana Flora às 12h37
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Primavera

Ana Flora  

 
Um gosto doce
                                    na manhã de setembro
 
desejos...
                                             não te conheço
 
te vejo
                                             em cada detalhe
 
na linda paisagem
                                             meu corpo te abraça
 
te encontro
                                             em outras
 
igualmente
                                             desconhecidas
 
pra mim


Semeado por Ana Flora às 10h34
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