Ana Flora, a raposa-sereia
Capitu

De um lado vem você com seu jeitinho Hábil, hábil, hábil E pronto! Me conquista com seu dom De outro esse seu site petulante WWW Ponto Poderosa ponto com
É esse o seu modo de ser ambíguo Sábio, sábio E todo encanto Canto, canto Raposa e sereia da terra e do mar Na tela e no ar
Você é virtualmente amada amante Você real é ainda mais tocante Não há quem não se encante
Um método de agir que é tão astuto Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo É só se entregar, é não resistir, é capitular
Capitu A ressaca dos mares A sereia do sul Captando os olhares Nosso totem tabu A mulher em milhares Capitu
No site o seu poder provoca o ócio, o ócio Um passo para o vício, o vício É só navegar, é só te seguir, e então naufragar
Capitu Feminino com arte A traição atraente Um capítulo à parte Quase vírus ardente Imperando no site Capitu
Composição: Luiz Tatit

Homenagem à querida Ana Flora, flor suave que encanta e devora.
Capitu - Ná Ozzetti
Revire a gaveta de Maria das Couves
Semeado por Ana Flora às 14h47
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E arriscar tudo de novo com paixão

Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão Eu quero um gole de cerveja No seu copo, no seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja Não quero o que a cabeça pensa Eu quero o que a alma deseja Arco-íris, anjo rebelde Eu quero o corpo, tenho pressa de viver
Mas, quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar Tempo para ouvir o rádio no carro Tempo para a turma do outro bairro ver e saber que eu te amo
Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente Sim, já é outra viagem E o meu coração selvagem tem essa pressa de viver
Meu bem, mas, quando a vida nos violentar, Pediremos ao bom Deus que nos ajude Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar Meu coração, cuidado, é frágil! Meu coração é como vidro, como um beijo de novela"
Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão O meu som e a minha fúria e essa pressa de viver E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza E arriscar tudo de novo com paixão Andar caminho errado pela simples alegria de ser
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo Vem morrer comigo, meu bem
Talvez eu morra jovem: Alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído Completará o meu destino
Coração Selvagem - Belchior
Semeado por Ana Flora às 12h41
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Enquete - Resultado Final
Quem é mais discriminado no Brasil?
O negro 13,18% (58 votos) O homossexual 29,55% (130 votos) O gordo 8,18% (36 votos) A prostituta 1,59% (7 votos) O pobre 22,27% (98 votos) O ex-presidiário 6,36% (28 votos) O idoso 2,05% (9 votos) O tatuado 0,45% (2 votos) O punk 0,68% (3 votos) O analfabeto 0,91% (4 votos) O dependente químico 0,68% (3 votos) A empregada doméstica 0,23% (1 voto) O roqueiro 1,59% (7 votos) A adolescente grávida 0,45% (2 votos) O morador de rua 5,45% (24 votos) O portador de deficiencia 6,36% (28 votos)
Total: 440 votos

Discriminação: uma questão de Direitos Humanos
Semeado por Ana Flora às 10h52
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Sensualidade
Ana Flora

Porque hoje é sexta e meu coração canta É dia de folia em mim O som me invade, convidando a dançar Rodopios Movimentos involuntários Apenas soltar o corpo E me deixar levar pelo ritmo Sou racional demais sempre Hoje, quero me libertar Permitir acordes dissonantes Hoje, quero tudo - e mais um pouco Vontade de ser e fazer acontecer Sinto-me profana Devassa, livre Nada de muito romantismo apenas Quero devaneios Um campari com gelo e limão Uma música sensual Também quero confetes Em uma boca macia Um olhar sacana Um bom perfume exalando no pescoço E eu sendo o centro das atenções dela Quem é ela? Quem é ela? Vem... me convida pra dançar
Francesas - La vie en rose/ Grace Jones
Semeado por Ana Flora às 16h41
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Felina
 Gal Costa, minha filhota linda
Eu sou uma gata E não gosto de água fria Pega logo no meu pêlo Seu carinho me arrepia
Não quero água Tomo banho é de lambida Tiro o gosto desse corpo E ainda tenho sete vidas
Então, se toque Porque o amor não é Só distração A vida arranha E, se eu faço rock, Eu faço manha Meu bem, me dê sua atenção
Não faço nada E ainda morro de preguiça Tenho sono o dia inteiro Madrugada é que me atiça
Não tenho dono Mando na minha cabeça Um dia desses, eu me mando Enquanto isso, não se esqueça
Tome cuidado Porque o amor não é Só distração A vida arranha E, se eu faço rock, Eu faço manha Meu bem, me dê sua atenção
Leo Jaime/Tavinho Paes
Gata todo dia - Marina
Semeado por Ana Flora às 09h31
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Espelho
Para minha mãe, que faz 71 anos hoje

Dar-se todos os dias Incessantemente
Amar Incondicionalmente
Ser Realizar Viver
Assim é você Minha mãe Meu maior amor Meu referencial Minha grande mulher
"O que guardo de maior Do melhor que há em mim"
Ana Flora
O amor - Gal Costa
Semeado por Ana Flora às 09h34
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Quem sabe isso quer dizer amor
Márcio Borges e Lô Borges

Cheguei a tempo de te ver acordar Eu vim correndo à frente do sol Abri a porta e, antes de entrar, Revi a vida inteira
Pensei em tudo que é possível falar Que sirva apenas para nós dois Sinais de bem, desejos vitais Pequenos fragmentos de luz
Falar da cor dos temporais De céu azul, das flores de abril Pensar além do bem e do mal Lembrar de coisas que ninguém viu O mundo lá, sempre a rodar, E, em cima dele, tudo vale Quem sabe isso quer dizer amor Estrada de fazer o sonho acontecer
Pensei no tempo e era tempo demais Você olhou sorrindo pra mim Me acenou um beijo de paz Virou minha cabeça
Eu simplesmente não consigo parar Lá fora, o dia já clareou Mas se você quiser transformar O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar Aonde nasce a fonte do ser E perceber meu coração Bater mais forte só por você O mundo lá, sempre a rodar, E, em cima dele, tudo vale Quem sabe isso quer dizer amor Estrada de fazer o sonho acontecer
Ouça Milton Nascimento
Semeado por Ana Flora às 17h41
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Ansiedade
Ana Flora

Nada acontece, tudo devora O silêncio lá fora me faz viajar E, por mais que eu acredite, Não dá pra ficar sem você É medo e poesia, dor e canção Dias sem alegria Barulho do mar revolto Nas ondas do meu coração Ainda assim alimento o sonho De que, um dia, a sua verdade Seja o que eu te proponho E um sorriso seu traga o meu sim
Semeado por Ana Flora às 13h22
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Sexo e Futebol
Veríssimo
 
No que se parecem: o sexo e o futebol? No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao mesmo tempo, avançam e recuam, quase sempre vão pelo meio, mas também caem para um lado ou para o outro, e às vezes há um deslocamento. Nos dois é importantíssimo ter jogo de cintura.
No sexo, como no futebol, muitas vezes acontece um cotovelaço no olho sem querer, ou um desentendimento que acaba em expulsão. Aí um vai para o chuveiro mais cedo.
Dizem que a única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música, porque o agarramento é o mesmo, e no escanteio também tem gente que fica quase sem roupa.
Também dizem que uma das diferenças entre o futebol e o sexo é a diferença entre camiseta e camisinha. Mas a camisinha, como a camiseta, não distingue, ela tanto pode vestir um craque como um medíocre.
No sexo, como no futebol, você amacia no peito, bota no chão, cadencia, e tem que ter uma explicação pronta na saída para o caso de não dar certo.
No futebol, como no sexo, tem gente que se benze antes de entrar e sempre sai ofegante.
No sexo, como no futebol, tem o feijão com arroz, mas também tem o requintado, a firula e o lance de efeito. E, claro, o lençol.
No sexo também tem gente que vai direto no calcanhar.
E tanto no sexo quanto no futebol o som que mais se ouve é aquele “uuu”.
No fim, sexo e futebol só são diferentes, mesmo, em duas coisas. No futebol não pode usar as mãos. E o sexo, graças a Deus, não é organizado pela CBF.
Semeado por Ana Flora às 16h50
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Qualquer maneira de amor
Fernando Bonassi

Eu nem quero nada, mas, se você rastejasse um pouquinho, provavelmente estaria aí a nossa solução no que me diz respeito. Não precisaria muito. Coisa de um metro, 30 centímetros que fosse, já seria suficiente pros meus propósitos ofendidos. Até posso te ver ralando os joelhos naquele tapete felpudo, braços abertos em dramáticos prantos pedintes atrás de mim. Quase comédia. Então eu riria. Primeiro de você. Depois de mim mesmo. Em seguida te ergueria, te beijaria e diria que não precisava ter feito isso. Que eu te amaria de qualquer maneira.
Semeado por Ana Flora às 11h40
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Clarice Lispector

Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Semeado por Ana Flora às 11h27
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As cenas do sexo
''Se o sexo é uma história que precisa ser contada outras vezes, nada mais humano que se mudem os panos, as luzes, as maquiagens e as paisagens''

Sexo é querido porque é simples, é fácil, é conhecido. Podemos ser ignorantes, podemos ser atrapalhados, podemos ser sabidos. Sexo é privado, é depravado, é democrático. Sexo bom é o que funciona para os parceiros solteiros ou casados, entregues aos seus quereres mais safados. Sexo gostoso existe em qualquer circunstância, basta estar excitado, interessado, disponível. 'Qualquer maneira de amor vale a pena', já disseram - e tinham razão. Sexo é atenção, o tesão e a emoção correspondentes. Sexo até parece igual, mas é todo diferente. Depende do dia que se leva e da noite que se espera. Sexo não é uma quimera; pode ser um bicho dócil, macio, poderoso. Só não pode ser penoso. Assim é que o sexo é eficiente: reúne dois carentes dispostos a se darem amor de presente! O que pode haver de mais nobre e comovente do que esses pelados agarrados pelos quartos?
Por força dessa energia positiva é que o sexo adquire sua importância, sua permanência, sua magia explosiva. Não é, no entanto, por ser direto, sem roupa, sem frescuras e descomplicado que pode ser feito em qualquer lado, entre agruras, jogado de qualquer jeito. Sexo decente (ou 'indecente', como queiram as mais fogosas ou famosas por esse comportamento) também requer certo cuidado, uma trama, um encantamento, um teatro. Se o sexo é uma história que precisa ser contada outras vezes, nada mais humano que se mudem os panos, as luzes, as maquiagens e as paisagens. Como toda obra de arte criada com esmero, requer um certo tempero, o tempero de cada vontade: sexo na areia é fantasia de sereia, pode entrar areia, mas a água, o sal e o sol haverão de limpar tudo na hora de guardar. Guardar para usar de novo, que fique claro ao povo!
Há quem goste da excitação de ser colhido em flagrante delito, preferindo fazer acontecer em festas de aniversário, jardins milionários ou armários embutidos. Os que viajam constantemente podem querê-lo rapidamente nos banheiros dos aviões lotados, porque gostam de ficar engatados e espremidos entre as nuvens que chacoalham. Há os que preferem os elevadores, com os botões desapertados e o receio dos vizinhos. Nenhum lugar é proibido para o carinho. Sob os cobertores de um ônibus leito ou mesmo em supostos lugares de respeito: entidades, templos, empresas, faculdades…
Sexo também é uma forma de saber e melhorar o mundo em que nos é dado viver. Os melhores estudantes do momento têm bastante 'fome' desse tipo de ensinamento! Há os que preferem algum tipo de isolamento, ainda que a céu aberto, ao vento. Pode ser num carro estacionado, ao relento ou num quiosque abandonado. Tudo isso tem as suas dificuldades, é claro, mas é importante que tenhamos a vaidade do que é difícil e do que é raro. Podemos cultivar melhor esses pecados! O sexo deve experimentar um novo lugar, sempre que possível. Gosto não é discutível. Só não pode parar de fazer, ressecar, morrer…
*Fernando Bonassi é escritor, dramaturgo e roteirista
Semeado por Ana Flora às 19h57
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Há coisas bonitas na vida
Letícia Thompson

Bonitas são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas. Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos... Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa. Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente ao amigo, amiga, namorado... Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças. Bonito é chorar quando se sentir vontade e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica. Bonito é gostar da vida e viver do sonho. Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas. Bonito é a gente continuar sendo gente em quaisquer situações.
Semeado por Ana Flora às 19h54
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Bilhete
Mário Quintana

Se tu me amas, ama-me baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa em paz os passarinhos Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Semeado por Ana Flora às 12h49
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Todas as coisas e eu
 
Gal Costa se apresentará, de 11 a 14/11, no Directv Music Hall (SP). Eu vi esse espetáculo em junho e não poderia deixar de comentá-lo com vocês. No texto abaixo, que escrevi logo após o show, minhas considerações a respeito. Quem gostar de MPB e puder conferir, terá o prazer de assistir a uma das mais belas apresentaçòes de Gal em toda a sua carreira. O disco é uma antologia da MPB. Façam suas reservas e bom espetáculo!
Meu zen, meu bem
Uma voz. Tantas canções. Em cada uma delas, uma faceta de Gal. A mulher de todas as coisas. Baby Gal. Minha honey baby. Tropical. Tigresa. Fatal. A Gal romântica, profana, plural. Uma mina d'água de encanto. No cenário, as folhas secas. E além das cortinas? Ela. Um cantinho, um violão... Acende o crepúsculo! Aqui, essa menina que você seduz. Você, Gal, no fundo, é uma atriz saída de outra peça. Pelo inferno e céu de todo o (meu) dia, é você quem conduz.
Em cada arranjo, uma viagem. De volta ao começo. Dimensão. Gal nostálgica. Dorival Caymmi, João de Barro, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Humbero Teixeira, Haroldo Barbosa, Dolores Duran, Jair Amorim, Nelson Cavaquinho... Gal de tantos amores! Os músicos, um sinal. Evidência de que um intérprete não brilha sozinho. Comunhão. Sintonia. Um bem-bom de acordes. Arte e técnica. Sensibilidade à flor da pele.
A verdadeira baiana sabe ser salsa, valsa e samba quando quer! Olha o jeito nas "cadera" que ela sabe dar! Morena boa que me faz penar! Uma pitada de blues, outras vezes, um tanto jazz. De camisa amarela ou no vestido preto, elegância básica: e indispensável. Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada... Ah! Ela abusa! E joga, vira, mexe os fios... Afinal, música na cabeça é carinho, alegria, inteligência, fantasia, prazer, doçura, energia, paixão e poesia! Minha musa. Minha diva. Gal, divina e maravilhosa!
Saiba mais sobre MPB em Pão e Poesia e no site oficial da Gal Costa Ingressos em domicílio: Ticket Master
Semeado por Ana Flora às 17h52
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Fumo
Florbela Espanca

Longe de ti são ermos os caminhos. Longe de ti não há luar nem rosas, Longe de ti há noites silenciosas, Há dias sem calor, beirais sem ninhos! Meus olhos são dois velhos pobrezinhos Perdidos pelas noites invernosas... Abertos, sonham mãos cariciosas, Tuas mãos doces, plenas de carinhos! Os dias são outonos: choram... choram... Há crisantemos roxos que descoram... Há murmúrios dolentes de segredos... Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! E ele é, ó meu Amor, pelos espaços, Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
Semeado por Ana Flora às 12h35
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O amor no éter
Adélia Prado
Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde. Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, entram e não neste lugar de memória, uma lagoa rasa com caniço na margem. Habito nele, quando os desejos do corpo, a metafísica, exclamam: como és bonito! Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento. Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural. O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas. Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde.
Semeado por Ana Flora às 12h33
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Todas as vidas
Cora Coralina

Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando pra o fogo. Benze quebranto. Bota feitiço... Ogum. Orixá. Macumba, terreiro. Ogã, pai-de-santo... Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho, Seu cheiro gostoso d’água e sabão. Rodilha de pano. Trouxa de roupa, pedra de anil. Sua coroa verde de são-caetano. Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola. Quitute bem feito. Panela de barro. Taipa de lenha. Cozinha antiga toda pretinha. Bem cacheada de picumã. Pedra pontuda. Cumbuco de coco. Pisando alho-sal. Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária. Bem linguaruda, desabusada, sem preconceitos, de casca-grossa, de chinelinha, e filharada. Vive dentro de mim a mulher roceira. – Enxerto da terra, meio casmurra. Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão. Bem parideira. Bem criadeira. Seus doze filhos. Seus vinte netos. Vive dentro de mim a mulher da vida. Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada... Fingindo alegre seu triste fado. Todas as vidas dentro de mim: Na minha vida – a vida mera das obscuras.
Semeado por Ana Flora às 12h33
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