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Sugestão Thiago de Mello
Ventos do mundo sopram; quando sopram, Uma cidade Dono do amor, és servo. Pois é dele É tempo. Semeado por Ana Flora às 17h23 [] [envie esta flor] O ron-ron do gatinho Ferreira Gullar (do livro "Um gato chamado Gatinho", da editora Salamandra)
Semeado por Ana Flora às 16h16 [] [envie esta flor] Não sei... Cora Coralina
Não sei... Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, Muitas vezes basta ser: E isso não é coisa de outro mundo: É o que faz com que ela Semeado por Ana Flora às 12h19 [] [envie esta flor] Ainda bem Vanessa da Mata
Ainda bem que você vive comigo Semeado por Ana Flora às 16h18 [] [envie esta flor] A lua já se pôs Safo A lua já se pôs,
Semeado por Ana Flora às 01h16 [] [envie esta flor] Frenesi e Despertar Ana Flora Madrugada Semeado por Ana Flora às 01h05 [] [envie esta flor] Amei-te e por te amar Fernando Pessoa
Amei-te e por te amar Quando te tinha diante Estavas-me longe na alma, Não sei o que eras. Creio Hoje eu busco-te e choro Não sei... Perdi-te, e és hoje Em que és [...] fictício, [...] tuas mãos, contudo, Quantas vezes sentimos E hoje pergunto em mim Que foi real em nós? Nós não sonhamos. Eras Como houve em nós amor Amamo-nos deveras? Sem dor... Um pasmo vago Talvez sintas como eu Somos a nossa bruma... Que importa? Se o que foi E além de nós, no Agora "...a Lua vai banhar este lugar, e eu vou lembrar você...." Semeado por Ana Flora às 16h53 [] [envie esta flor] Apenas um desejo Ana Flora
As sextas-feiras têm o poder de mexer comigo. Parece que tudo se aquece e revira aqui dentro. Tendo vontade de sair por aí, sem destino algum e descobrir o que ela - a sexta-feira - me reserva. Nenhum plano ou propósito me move. Apenas uma inquietação provocante, um quê de prazer que fica me instigando: "vá lá, vá lá... deixe a rua te levar... veja a cidade se acender... veja a lua!". Nos outros dias, essa química fica adormecida e estável. Nenhum desejo de voar. Mas, na sexta, ah!, a sexta, é de matar! Um furacão dentro de mim, um vai-e-vem louco, que me provoca os instintos de mulher. Vontade de beijar uma boca carnuda e macia. E dançar, tocar, sentir. Fazer sentir. Porém, nada farei. Não quero me precipitar e nem perder a hora. Já sei olhar o rio por onde a vida passa. Muita coisa pra arrumar. Coisas minhas... Mais uma vez, limito-me a extravasar aqui o meu desejo. Semeado por Ana Flora às 16h32 [] [envie esta flor] Nenhum mistério Elizabeth Bishop (Tradução: Paulo Henrique Brito)
A arte de perder não é nenhum mistério. Tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério. Depois, perca mais rápido, com mais critério: lugares, nomes, a escala subseqüente da viagem não feita. Nada disso é sério. Perdi o relógio da mamãe. Ah! E nem quero lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério. Perdi duas cidades lindas. E um império que era meu, dois rios e mais um continente. Tenho saudade deles. Mas não é nada sério. - Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério, por muito que pareça (Escreve!) muito sério. Semeado por Ana Flora às 14h13 [] [envie esta flor] Desfecho Ana Flora
Tudo que queria era você feliz - ao meu lado sempre -, irradiando toda a sua luz, seu brilho interior e a alegria que só você emana. E te ver passar, entre girassóis e rosas, com o sorriso mais arrebatador que só você soube me dar. Ao seu lado, querida, fazer o tempo parar e resumir-se nessa sensação de leveza e suavidade plenas. Queria te dar meu amor, sublime amor, com todas as nuances que dele partem. Dar-te meu carinho e minha alegria, meu cansaço e, por que não?, minha agonia. E te amar inteiramente, toda, sem excluir qualquer dor ou alegria. Saber-te minha em sua plenitude. Ah! Como o tempo me consome. Cada minuto longe de ti é como uma faca cortando-me em pedaços, esfacelando meu ventre, revirando-me as vísceras. Se ouso não pensar, logo os pensamentos me traem e é em você que eu repouso. A doce sensação de maciez e conforto do seu corpo, o toque da mão aveludada, meu sorriso em sua retina. Lembrar tudo isso faz com que eu não me liberte, você está cada vez mais presente. Sem você, não há saída: dou sempre no mesmo lugar. Semeado por Ana Flora às 10h28 [] [envie esta flor] A língua girava no céu da boca. Drummond
A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único. Eu, ela, elaeu. Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós. Semeado por Ana Flora às 13h23 [] [envie esta flor] O amor Safo
O amor agita meu espírito
Semeado por Ana Flora às 12h51 [] [envie esta flor] Sobre a Escrita... Clarice Lispector
Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio. Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras. Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes. Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem. Semeado por Ana Flora às 12h49 [] [envie esta flor] |