::Essência Feminina::

::Ana Flora::

Brasil, Sudeste, Mulher
Poesia e Arte












Vestido Estampado
Ana Carolina









02 de Junho de 2008
4 anos de Essência Feminina























::Poesia e Arte::
.::Academia Brasileira de Letras::.
.::Adélia Prado::.
.::Alice Ruiz::.
.::ArtePauBrasil - Livraria Virtual::.
.::Biblioteca Folha::.
.::Bolacha Ilustrada::.
.::Caixa de hai-kai::.
.::Caros Amigos::.
.::Carteiro::.
.::Casa de Cultura Mário Quintana::.
.::Cecília Meireles::.
.::Cecília Meireles::.
.::Clarice Lispector::.
.::Cora Coralina::.
.::Cravo Albin - Dicionário da MPB::.
.::Cultura em Tópicos::.
.::Darcy Ribeiro::.
.::Drummond::.
.::Drummond::.
.::Elisa Lucinda::.
.::Faxina Cultural::.
.::Fernando Pessoa::.
.::Ferreira Gullar::.
.::Guia da Poesia::.
.::Hilda Hilst::.
.::Jornal da Poesia::.
.::Literatura online::.
.::Manoel de Barros::.
.::Manoel de Barros::.
.::Manuel Bandeira::.
.::Mário Quintana::.
.::Mulheres na Literatura::.
.::Mulheres que amo - Poesia::.
.::Pablo Neruda::.
.::Palavrarte::.
.::Poesia Erótica::.
.::Poesias escolhidas::.
.::Pop Box Poesias
.::Projeto Releituras::.
.::Releituras - Diversos autores::.
.::Sebos::.
.::Songs and Poems::.
.::Thiago de Mello::.
.::Umas e Outras::.
.::Um outro olhar::.
.::Vários sites: Guia de Portais Poéticos::.
.::Veja Noite - São Paulo::.




::Essências Passadas::
01/08/2008 a 31/08/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/12/2005 a 31/12/2005
01/11/2005 a 30/11/2005
01/10/2005 a 31/10/2005
01/09/2005 a 30/09/2005
01/08/2005 a 31/08/2005
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005
01/12/2004 a 31/12/2004
01/11/2004 a 30/11/2004
01/10/2004 a 31/10/2004
01/09/2004 a 30/09/2004
01/08/2004 a 31/08/2004
01/07/2004 a 31/07/2004
01/06/2004 a 30/06/2004





Em flor
Livro de visitas


beija-flor(es) deleitando-se



Afinidade
Conheça meu fotoblog!

::Créditos::





::Avalie a Fragrância::

Dê uma nota para meu blog


Vote na enquete







 

::Inebriaram-se::



Vieste

Ivan Lins e Vitor Martins


Vieste na hora exata
Com ares de festa e luas de prata
Vieste com encantos
Vieste com beijos silvestres colhidos pra mim
Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas
Plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor
Vieste à hora e a tempo
Soltando meus barcos e velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro
Velando por mim
Vieste de olhos fechados
Num dia marcado
Sagrado pra mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor



Semeado por Ana Flora às 12h47
[] [envie esta flor]




Ninguém me habita

Thiago de Mello


Ninguém me habita. A não ser
o milagre da matéria
que me faz capaz de amor,
e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora,
possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho
resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam,
belezas que me endoidecem.



Semeado por Ana Flora às 12h28
[] [envie esta flor]




...

Lya Luft


Homens são passos; Mulheres são perfumes
Que se aproximam, param e se esquivam
Sem lançar raízes nessa treva.
Beijam-se, às vezes, como num murmúrio,
Pra depois, num mundo só de beijos,
Pousar a mão sobre meus olhos mortos,
Como se baixasse nesses entrevados
O teu carinho, a medo.



Semeado por Ana Flora às 11h54
[] [envie esta flor]




Arte de amar

Thiago de Mello

Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.
Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.



Semeado por Ana Flora às 15h46
[] [envie esta flor]




Traduzir-se

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?



Semeado por Ana Flora às 15h37
[] [envie esta flor]




Poema ao mais recente amor

Hilda Hilst

Estar entre teus pêlos e dedos,
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.

Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer;
beber parte de teus líquens e teus rios
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.



Semeado por Ana Flora às 14h22
[] [envie esta flor]




Escolha

Elisa Lucinda

Eu te amo como um colibir resistente
Incansável beija-flor que sou
Batedora renitente de asas
Viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
Do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina.
Assim chacinas o meu tempo de eremita.
Quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias,
As que vestiram meus pés
Quando caminhei as areias.
Eu te amo como quem esquece tudo
Diante de um beijo:
As inúmeras horas desbeijadas
Os terríveis desabraços
Os dolorosos desencaixes
Que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto de crochê.
Penélope invertida
Nada começo de novo
Nada desmancho
Nada volto.
Teço um novo tecido de amor eterno.
A cada olhar seu de afeto
Não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
Pesco os peixes dos nossos encaixes
As confissões de amor.
As palavras fundas de prazer,
As esculturas astecas que nos fixam
Na história dos dias.



Semeado por Ana Flora às 14h14
[] [envie esta flor]




...

Elisa Lucinda

Me assusta e acalma
Ser portadora de várias almas
De um só som comum eco
Ser reverberante
Espelho, semelhante
Ser a boca
Ser a dona da palavra sem dono
De tanto dono que tem



Semeado por Ana Flora às 13h58
[] [envie esta flor]




Declaração de Amor

Drummond

Minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu
pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peônia.
Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão.
Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor.
Floramarílis. Floranêmona. Florazálea. Clematite minha.
Catléia delfínio estrelítzia. Minha hortensegerânea.
Ah, meu nenúfar. Rododendro e crisântemo e junquilho meus.
Meu ciclâmen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha.
Daliabegônia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas.
Violeta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze.
Meu cravo-pessoal-de-defunto.
Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.



Semeado por Ana Flora às 19h47
[] [envie esta flor]




Oferenda

Laura Amélia Damous

Venho te oferecer meu coração
como o cansaço se oferece aos amantes
o suor aos corpos exaustos
depois de definitivo abraço
Venho te oferecer meu coração
como a lua se oferece à noite
e o vento à tempestade
Venho te oferecer meu coração
como o peixe se oferece à captura
no engano do anzol



Semeado por Ana Flora às 19h39
[] [envie esta flor]




Perdida no universo

Rosani Abou Adal

Há momentos em que me sinto
tão forte quanto as montanhas do Tibet.
[...]
Existem dias em que me sinto
tão pequena como um átomo perdido 
na galáxia,
[...]
tuas mãos não me afagam,
perdida no universo
sou o núcleo de um átomo. 



Semeado por Ana Flora às 19h33
[] [envie esta flor]




Explosão

Ana Flora

Meu  desejo brota,

                                              lentamente,

até germinar a semente
           que floresce toda:
em formas, odores, tato,
ohar, sons, paladar.

Detalhes perfeitos invadem-me o peito
 e afloram meu grão de amor:

sou toda cor,  brilho,
fragmentos de luz.



Semeado por Ana Flora às 13h58
[] [envie esta flor]




Vertente

Ana Flora

No peito, um corte;
na cabeça, você.
Sem medo da sorte,
quero prazer:
recordo seu decote.



Semeado por Ana Flora às 16h24
[] [envie esta flor]




Fetiche

Sandra Regina S. Baldessin

O corpo, não.
Os significados;
a possibilidade do
seiobjeto
conter a fantasia;
a parte
pelo todo:
o tomo.

A palavra, não.
Os significantes;
a possibilidade do
verbobjeto
conter a utopia;
a metátese:
o poema nunca
se diz
todo.



Semeado por Ana Flora às 15h49
[] [envie esta flor]




Refém

Ana Flora

Eu me rendo.
Ainda que me custe a vida, eu me entrego.
Ao teu prazer, às tuas vontades.
Faça de mim o teu fantoche e realize teus fetiches.
Deixo-te penetrar meus mistérios - e esqueço a morte.
Porque ela é certa.
E, meu desejo por ti, mais certo ainda.



Semeado por Ana Flora às 15h45
[] [envie esta flor]




Recordações

Castro Alves

(Recitativo para o piano)

Lembras-te ainda dessa noite bela
Em que, donzela, te chegaste a mim?
Lembras-te? Dize... mas não tenhas pejo...
Que vai um beijo p'ra corar assim?...

........................................

Que linda noite! da montanha o vento
Tênue lamento suspirava então.
E nos teus lábios, no tremor, no medo
Lia o segredo de febril paixão.

Passava a lua pelo azul do espaço
Do teu regaço a namorar o alvor.
Como era terna no seu brando lume.
...Tive ciúme de ver tanto amor ...

Como dum cisne alvinitentes plumas
Iam de brumas a vagar nos céus,
Gemia a brisa — perfumando-a a rosa —
Terna, queixosa nos cabelos teus.

Que noite santa!... Sempre o lábio mudo
A dizer tudo, a respirar paixão;
De espaço a espaço um fervoroso beijo,
E após o pejo... e algum frouxo não.

Eu fui a brisa — tu me foste a rosa,
Fui mariposa — tu me foste a luz,
— Brisa — beijei-te — mariposa — ardi-me.
E hoje me oprime do martírio a cruz.

E agora quando da montanha o vento
Geme um lamento de infinito amor,
Busco debalde t'escutar as juras...
Não mais venturas... só me resta a dor.

Seria um sonho aquela noite bela?
Dize, donzela... Foi real... bem sei!...
Ai! não me negues, diz-mo a lua, o vento,
Diz-mo o tormento que por ti penei!...

 



Semeado por Ana Flora às 15h35
[] [envie esta flor]




Se tudo pode acontecer

Arnaldo Antunes/ Paulo Tatit
Alice Ruiz/ João Bandeira

Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer
Qualquer coisa

Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover

Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você

Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão

E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira

Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira

E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia

Se for eu e você
Se assim acontecer

 



Semeado por Ana Flora às 11h22
[] [envie esta flor]




Mãos dadas

Drummond

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.



Semeado por Ana Flora às 11h15
[] [envie esta flor]




Acordar, viver

Drummond

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea. 

("Seu sangue errou de veia e se perdeu")



Semeado por Ana Flora às 11h06
[] [envie esta flor]




Banho de gata

Ana Flora

gota
a
gota
percorro seu corpo
sou água macia e quente
deslizando até seu ventre
a desfrutar do prazer e conforto
da pele sedosa e perfumada
que só em ti, doce amada,
encontro



Semeado por Ana Flora às 13h06
[] [envie esta flor]