Poema de amor
Poema da Nadir in Unus Mundus

Anda… Segue-me, Persegue-me, Envolve-me Com um lenço de seda Projectado pela retina inflamada do desejo Anda… Olha para o que não tocas Anda… Passo a passo a meu lado Contorce-te ao som dos meus gemidos Numa noite gélida, sobre o céu azul-escuro Anda… Ama-me Anda… Olha-me nos olhos Anda… Beija-me os lábios pintados de rubro inflamado Anda… Amassa-me em cornucópias de abraços apertados Anda… Cola-me ao teu corpo suado Anda… Tira-me o folgo Anda… Num labirinto feito de seda, Deslizar, trocar o olhar, que nos ilude. Num labirinto feito de seda, Dispo-me, Esfrego-me Confundindo-te com a seda. Alimento a alma sequiosa do limiar que nos separa A retina perdida, Numa conjunção de traços dispersos sobre a pele desfeita Num labirinto feito de seda, Danço para ti Num labirinto feito de seda, Vergo-me a ti Num labirinto feito de seda, A eternidade do meu amor Rodopia em círculos invisíveis até te alcançar. Anda… Dá-me a mão, Fecha os olhos Anda… O labirinto feito de seda chama por nós Anda… Dá-me os lábios para saborear As mãos para que elas toquem no fundo da minha alma No fundo do poço… Aquele poço em que te queres perder Ele não tem fim É um cair eterno dentro de mim Anda… O labirinto não tem fim, nem principio Ele é feito dos nossos corpos nus… O labirinto chama por nós Anda…
Foto: Seda - José Gama
Semeado por Ana Flora às 09h41
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Da rotina
Micheliny Verunschk

Varrer o dia de ontem que ainda resta pela sala, o dia que persiste, quase invisível, pelo chão, nos objetos, sobre os móveis da sala. Varrer amanhã o pó de hoje. Varrer. Varrer hoje. (E domingo quebrar nos dentes o copo e sua água de vidro. Segunda, não esquecer: varrer todos os vestígios).
Foto: Pedaço de ti - Carlos Manuel Pereira
Semeado por Ana Flora às 17h28
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De Geografia Íntima do Deserto
- A Presença Dolorosa do Deserto Micheliny Verunschk

Teu nome é meu deserto
e posso senti-lo
incrustado
no meu próprio território
como uma pérola
ou um gesto no vazio
como o amargo azul
e tudo quanto há de ilusório.
Teu nome é meu deserto
e ele é tão vasto
seus dentes tão agudos
seus sóis raivosos
e suas letras
(setas de ouro e prata
nos meus lábios)
são o meu terço
de mistérios dolorosos.
Foto: Li - Ricardo Tavares
Semeado por Ana Flora às 17h26
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