Presença
Mario Quintana

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
Foto: Deserto - Victor Melo Hoje (30/07), é comemorado o centenário do nascimento de Quintana.
Semeado por Ana Flora às 10h28
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Carlos Dala Stella

antes, quando a poesia me invadia era aquela eufórica alegria
agora me largo quieto sentado à beira do rio
transcorre em silêncio a água e a poesia pelos meandros
Foto: Momentos tranquilos...Suavidades - Susana Ferreira
Semeado por Ana Flora às 16h36
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Suavidade
Florbela Espanca
 Pousa a tua cabeça dolorida Tão cheia de quimeras, de ideal, Sobre o regaço brando e maternal Da tua doce Irmã compadecida. Hás-de contar-me nessa voz tão qu'rida A tua dor que julgas sem igual, E eu, pra te consolar, direi o mal Que à minha alma profunda fez a Vida. E hás-de adormecer nos meus joelhos... E os meus dedos enrugados, velhos, Hão-de fazer-se leves e suaves... Hão-de pousar-se num fervor de crente, Rosas brancas tombando docemente, Sobre o teu rosto, como penas de aves...
Foto: Lágrima - X. Maya
Semeado por Ana Flora às 16h35
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Noite
Ana Flora
 Está escuro... Tudo é vazio. Faz Frio. Só você pode acender.
Foto: code:black - Victor Melo
Semeado por Ana Flora às 17h54
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A fim de que me deflores, esperar-te-ei até o fim...
tizapoe

Sou somente tua, ainda que não saibas. Estou inteiramente nua, para que enfim caias Na tentação de deflorar-me, Seja sob aplausos ou vaias, Pois o que vale é que saias De onde estiveres e aqui venha... Não te contenhas, me tenha De uma vez por todas! Me desperte, me deixe louca, Me leia por dentro, me condene Ao vício de esperar por ti, paixão; Todo Dia, por toda Lua, em toda Flora No meio da rua, no pé de Amora, Em cima de um colchão! Me invada, me possua então...
Foto: Pedro da Costa Pereira
Semeado por Ana Flora às 17h39
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Tarde de Outubro...
L´(Max)

Deliciosa tarde de outubro, Como um menino fui, faceiro. Calafrios na espinha e rosto rubro. De alma livre e coração inteiro.
Doce emoção culminante. Sua voz soava em júbilos à minha mente. Em meu caminhar, delineei seu semblante. Frenético êxtase de devaneio envolvente.
Inolvidável momento de meus dias. Observei-te ao longe arrebatado. De meus sonhos não mais fugirias. Extraordinário momento de inusitado.
Doce tarde de um amor futuro, Atirei-me a ti com um alastrar de desejos. Meu coração compassava em sussurro. Meus olhos se fizeram em lampejos.
O semblante que outrora esboçava, Transformara-se na mais bela imagem. Sentimento incontido, a paixão que começava. Incógnito anseio de margear suas paragens. Desejei-te no dia seguinte. Desejei-te por meses, por anos. Desejo-te como naquela tarde de outubro.
Foto: Tamariz em Outubro - Carlos Loff Fonseca
Semeado por Ana Flora às 17h35
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