Casulo
Leonardo Andrade

Cada vez mais longe de mim... Cada dia mais distante da minha essência... Navegando por mapas que não escolhi, Refazendo rotas ao sabor da maré.
Violentando meus sentidos, omitindo minhas idéias... Desenvolvendo personas funcionais, Personagens adequados a cada momento
Máscaras que escondem o que sou e que se renovam a cada atuação convincente chorando por dentro e sorrindo para o mundo tecnicamente perfeito, emocionalmente falso...
Viver dói, machuca, dilacera... Sobreviver é preciso Mesmo pagando com sua identidade, com sua alma ...
Lenta maturação da vida que se esconde Lagarta no casulo Preparando a borboleta que irá sair Para ganhar o mundo
Se mostrar, Voar sem limites, Plena, autêntica, real Viver na plenitude do sentido da palavra....
Foto: Casulo - Victor Melo
Semeado por Ana Flora às 17h13
[]
[envie esta flor]
Interrogação
Adail Coelho Maia

Ris, por que ris de mim? julgas por certo Que eu seja indigno de qualquer carinho? — Ave perdida procurando ninho Na solidão profunda do deserto?...
Vivo longe de ti, e a passo incerto Sigo em silêncio o teu feliz caminho, Porque sem ti me sentirei sozinho, Trazendo o peito em mágoas encoberto.
Não sou capaz de profanar-te o nome, Sofrendo embora esse martírio ardente, Na fogueira do amor que me consome!... Não rias, pois, da dor que me rodeia! Olha que Deus proíbe e não consente, Que a gente ria da desgraça alheia!...
Foto: ? - Pedro Gomes
Semeado por Ana Flora às 16h37
[]
[envie esta flor]
Do poder do amor
Fernando Pessoa

Bom é que não esqueçais Que o que dá ao amor rara qualidade É a sua timidez envergonhada Entregai-vos ao travo doce das delicias Que filhas são dos seus tormentos Porém, não busqueis poder no amor Que só quem da sua lei se sente escravo Pode considerar-se realmente livre
Foto: Coração espelhado - A Brito
Semeado por Ana Flora às 12h13
[]
[envie esta flor]
Fernando Pessoa

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlaçemos as mãos).
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado, Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente. E sem desassossegos grandes.
Foto: - Água para o Coração - Judith Tomaz
Semeado por Ana Flora às 12h13
[]
[envie esta flor]
|