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Dom Helder Câmara

 

Existem pessoas como a cana,
mesmo postas na moenda,
reduzidas a bagaço,
só sabem dar doçura.

Foto: Suavemente - José Margarido

 



Semeado por Ana Flora às 13h19
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Resíduo

Carlos Drummond de Andrade

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ―  de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.



Semeado por Ana Flora às 13h17
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Paulo Leminski

 

 

a noite - enorme
 tudo dorme
    menos teu nome

Foto: Vermelho Sangue - Ines Abrantes Bicas



Semeado por Ana Flora às 12h18
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10 ANOS DE CINEMA MOSTRA AIDS

O Grupo Pela Vidda comemora 10 anos do evento CINEMA MOSTRA AIDS com pré-estréia nacional do filme PRINCESAS, de Fernando León de Aranoa, o mesmo diretor de “Segunda-Feira ao Sol”. O ingresso, a preço especial de R$ 5,00, terá renda revertida para o Grupo Pela Vidda São Paulo.

Sucesso em diversos Festivais, como o Sundance Film Festival, Princesas foi o segundo filme mais assistido na Espanha em 2006. Foi vencedor de três prêmios Goya, da Academia Espanhola de Cinema, nas categorias de Melhor Atriz (Candela Peña), Melhor Revelação Feminina (Micaela Nevárez) e Melhor Canção Original ("Me Llaman Calle", de Manu Chao).

Com a exibição de Princesas, o Grupo Pela Vidda registra os 10 anos de Cinema Mostra Aids, evento criado pela ONG em 1997, em parceria com o Espaço Unibanco de Cinema, para dar visibilidade a produções que não só trazem perplexidades e respostas do cinema frente à Aids, mas também alertam para a necessidade da prevenção e da eliminação do preconceito, além de testemunharem as dificuldades e dilemas do viver com HIV no mundo atual.

O Grupo Pela Vidda/SP é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, formada por pessoas vivendo com Aids, seus amigos, parentes, familiares e demais interessados. Seu compromisso é promover o ativismo político, a integração das pessoas vivendo com HIV e Aids, o respeito à cidadania e o incentivo à participação de todos no enfrentamento da epidemia com ações que contribuam para a qualidade da assistência em saúde, a prevenção e o controle da Aids.

GRUPO PELA VIDDA/SP (Pela Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids)
Rua General Jardim, 566 - Vila Buarque - São Paulo.
Tel.: (11) 3258-7729 e  3259-2149.
E-mail: gpvsp@uol.com.br - Home page: www.aids.org.br

SERVIÇO
CINEMA MOSTRA AIDS – 10 ANOS: PRINCESAS, de Fernando León de Aranoa
Data: Quinta-feira – 17 de maio – 21h30
Ingressos: R$ 5,00 – Espaço Unibanco de Cinema - Sala 1 - 268 lugares
Rua Augusta, 1475 - Cerqueira César 
Metrô Consolação - São Paulo/SP - Tel: (11) 3288-6780



Semeado por Ana Flora às 11h07
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