Tristeza e solidão
Baden Powell e Vinícius de Moraes

Ela não sabe Quanta tristeza cabe numa solidão Eu sei que ela não pensa Quanto a indiferença Dói num coração Se ela soubesse O que acontece quando estou tão triste assim Mas ela me condena Ela não tem pena Não tem dó de mim Sou da linha de umbanda Vou no babalaô Para pedir pra ela voltar pra mim Porque assim eu sei que vou morrer de dor
Foto: Memórias da Pele 3 - Elsa Mota Gomes
Semeado por Ana Flora às 17h32
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Lavoura
Teresa Cristina e Pedro Amorim

Quatro da manhã Dor no apogeu A lua já se escondeu Vestindo o céu de puro breu E eu mal vejo a minha mão A rabiscar Esboço de canção.
Poesia vã Pobre verso meu Que brota quando feneceu A mesma flor que concebeu Perdido na alucinação Do amor Acreditando na ilusão.
Canto pra esquecer a dor da vida Sei que o destino do amor É sempre a despedida A tristeza é um grão Saudade é o chão onde eu planto No ventre da solidão É que nasce o meu canto.
Foto: autoria desconhecida
Semeado por Ana Flora às 17h42
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Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
Carlos Drummond de Andrade

Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas detêm a mão ansiosa: Devagar. Cada pétala ou sépala seja lentamente acariciada, céu; e a vista pouse, beijo abstrato, antes do beijo ritual, na flora pubescente, amor; e tudo é sagrado.
Semeado por Ana Flora às 17h09
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Adeus de Rosa Vermelha
Noel Nascimento

I
Eu só quero uma rosa vermelha para acenar do meu vagão. Já comprei um terno novo para a hora do adeus. Pungente ressoa o apito do trem de fogo do arrebol. É um grito que estremece o fúnebre pátio da Estação. Há cortejos de lágrimas e flores em direção à carruagem. O coração dá a hora da partida, pára de repente. Move-se o trem a céu aberto na trilha do Infinito. Some o sol no poente e se acabam as dores. As nuvens são a fumaça da máquina a vapor. As pétalas viram centelhas, e os espinhos saudades. Eu me vou, mas permaneço. Se presente o sol faz o dia também faz a noite se ausente. II
Ficam na alma as lembranças. O tempo não passa, dura sempre para quem ama. A rosa vermelha marcou-me o caminho, espelha o meu coração. Mágico oráculo, carta flórea, dama de copas ditando-me a sorte. Embriaguei-me da corola que se derrama no verde cálice do perianto. III
Meu adeus é breve poema, aceno de versos florais. Devo a Deus e tanto a tantos a felicidade, a veste, o pão, o teto e o afeto. Renascer é a lei da vida e na aurora voltarei um dia. Apenas um véu separa a Terra do Céu. Volátil e liberto na viagem, entre as estrelas o transponho. O Além é muito perto e sei que lá me querem bem. É de madeira o coche que vou em estado de graça. Vivi lendas e quimeras reais sem glória e sem história, com alegria. Vou fingir que poeta não chora para viajar risonho. Ao fechar-se o vagão sobre a essa e me virem entre as centelhas, não dormi nem morri. Por mim não chorem mais: eu acordei de um sonho.
Semeado por Ana Flora às 11h41
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Não vou voltar atrás

Semeado por Ana Flora às 18h04
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